25 de abril de 2011

Bumbum duro

(Recebi esse texto por e-mail, dizia que é do Arnaldo Jabor, não comprovei se realemnte é, mas é um bom texto!)


O BUMBUM DURO
Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura!!!
Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco?
Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

a) Escova toda manhã: A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão 'Alisabel', que é legal... Burra.
b) Na moda: Estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando.

c) Sorriso incessante: Ela mora na vila dos Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipático com orgulho, só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa... Coitada.

d) Bunda dura: As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece!

Portanto:
É melhor vc ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja,gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica , faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada; Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!
Arnaldo Jabor

E não se esqueça...
Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!

22 de abril de 2011

O gaúcho na Savana

Recebi por e-mail essa piadinha... muito boa!

_________________________________________________________________________________


O gaúchão andava a cavalo pelas savanas africanas, quando, de repente, entra em uma clareira e se depara com um enorme leão, faminto.

O cavalo (que não devia ser crioulo) se assusta com a presença do enorme felino e começa a refugar, até que dá uma empinada derrubando o gaúcho no chão e em seguida foge em disparada deixando o gaudério solito atirado a própria sorte.
O gaúcho começa a bater a poeira devagarito, e vê que o bichano vem lentamente em sua direção já afiando as garras e arreganhando os dentes
Então, antes de agir, faz uma pequena oração:
- Tchê Deus!!!
- Se o senhor está torcendo por mim, faça com que eu puxe agora essa minha adaga da bota, atire-a em direção do leão de maneira certeira, fazendo com que atinja o meio da cabeça dele e que seja mortal.
- Mas tchê Deus, se o senhor estiver torcendo pelo leão, que o bicho dê um pulo certeiro, mordendo diretamente minha jugular, e que eu morra na hora, sem sofrimento, nem dor.
- Agora, Tchê Deus, se o senhor não estiver torcendo pra ninguém, pega aí uma pipoquinha......e uma Polar geladinha, te abanca ali naquela pedra, e assista uma das maiores peleias que já se sucederam por essas bandas! Porque eu vou é di-mu-li' esse jaguara metido a besta a pau!!!
Mazáááhhhh!!!

15 de abril de 2011

Eu e o Gaiteiro



Música alegre e bonita letra do Gujo Teixeira com música do Érlon Péricles, para começar bem o fim de semana. Interpretação de Gabriel 'Selvage' no Festival César Passarinho.


6 de abril de 2011

Doida ou Santa

ótimo texto de Martha Medeiros, vale a pena ler.

DOIDA OU SANTA?


“Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa”.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa.. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso,temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada,dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.'
Martha Medeiros

5 de abril de 2011

As corruíras e o banhado

Um dia assim meio chuvoso me faz lembrar duma feita num sítio duns conhecidos. Um sitiozinho simpático com um eito de campo, uma plantaçãozinha de milho, mais pra o consumo mesmo, umas ovelhas, uns porcos, umas galinhas e uns marrecos e também tinha umas vaquinhas de leite que dava bem pras muié fazer uns queijo pra vender.

Pois que naquele dia de junho ou julho, não me lembro direito, andavam lá pelo sítio duas corruíra* tagarelando, diz que tinham ido porque tavam de férias da escola, e iam ficar lá uns dias pra aprender uns bordados e umas franjas com a dona Fátima, que era uma senhora muito prendada e mexedeira das linhas e dos tecidos, que não tinha o que não fizesse. Era bordado, era costura, era pintura, além dos queijos e das verduras que vendia na cidade, a muié véia se virava pra juntar uns troco.
Pois, que essa Dona Fátima, era muito fazedeira de fogo pros namoros das meninotas, uma devia ter uns 14 ou 15 anos e a outra uns 13, claro que era mais conversa dela pra ter assunto com as menina nova, mas elas bem que gostavam dos pretendentes a pretendentes que a véia arrumava, e por isso se sujeitavam aos desejos das mães de que elas aprendessem a bordar, e pintar e tudo essas coisas que menina nova tem que aprender pra não ficar com a cabeça desocupada, pensando bobagem.
Dessa vez os homens da casa tinham saído cedo pra um vizinho que ia lidar com uma marcação. As muié, aproveitando que tinham mais dois pares de mãos pra ajudar no serviço, passaram o dia fazendo mistura. Encheram uns vidros de bolachas, fizeram pão, cuca, bolo de milho, orelha de gato, uns vidros de sequilhos e bolinho de coalhada.
O tempo véio já tinha amanhecido fechado, mas sem chuva, então lá pelo meio dia despencou água que foi quase uma tromenta.
A tarde começou a querer se findar e nada dos homens voltarem, então a Dona Fátima achou que não dava pra ficar esperando e que tinham que ir no campo buscar as vacas, pra apartar e fechar os terneiros. Foi já que as curruíra cresceram os olhos e se prontificaram a fazer o serviço.
Mas tá chovendo, vocês vão se molhar, é longe, é difícil, vocês não vão dar conta, dizia a Dona Fátima, mas não adiantou, as duas botaram na cabeça que iam pro campo e traziam as vacas e não teve jeito, e já que a chuva tinha estiado a véia mandou que fossem, pra pararem de incomodar.
Vestiram umas jaquetas, até tinha umas capas por lá, mas a mais nova e mais tagarelinha, dizia que não podia ver capa, que tinha medo e se atracava num gritedo quando topava com um cavaleiro de capa. Foram no galpão acharam uns bonés velhos das eleição desses tempos, colocaram na cabeça e calçaram as botas de borracha, pegaram um guarda chuva e saíram... diapé, porque os homens tinham levado os cavalos.
Lá se foram pelo campo e a Dona Fátima bombeando pela janela, pensando que coisa sem cabimento, se elas pegassem uma gripe que explicação iria dar pras mães que confiaram que ela cuidaria bem das meninas.
As duas corruíras iam matraqueando achando graça no serviço que iam fazer, o apelido foi dado pelo Seu Nicolau, um véio já de idade que parava lá no sítio e volta e meia ficava de caseiro pra um e outro vizinho, justamente foi dado porque eram magrinhas e miúdas como o passarinho, e andavam sempre catarolando.
Acharam as vacas, e como estas eram mansas e acostumadas com aquela rotina diária não foi difícil fazer com que entrassem na forma e pegassem o rumo da mangueira. Se vinham, tranqueando, quando desabou um temporal.
A chuva grossa foi encharcando os bonés, as jaquetas que foram pingando e enchendo as botas d'água. O guarda chuva virava e desvirava do avesso com o vento. Com os pés molhados a bota começou a incomodar, e elas resolveram tirar as meias... não conseguiram andar mais cinco minutos e já não agüentavam as botas pegando nos pés de novo.
Que tristeza, parecia que a mangueira ficava cada vez mais longe e os pés doendo, cada um com uns três tipos diferentes de calos e bolhas que se formavam por causa das botas sete léguas.
Já vinham mancando, costeando um banhadinho, as vacas tranqueando em direção à mangueira sem ser preciso culatra, a prosa de certo que era a respeito dos aprontamentos pra uma janta na capela do Divino, pois que de tanta faceirice a mais velha chegou a perder o rumo e afundou um pé, se boleando no banhado. A outra foi só riso.
Depois que se recuperou das risadas, enquanto a mais velha tentava se erguer e se afundava ainda mais, ela foi ajudar e daí que se foram as duas banhado adentro. As botas cheias d'água só faziam atrapalhar e afundar ainda mais aquelas duas criaturinhas. O banhado remexido já tava virando um lamaçal até que a mais velha resolveu tirar as botas, e jogou lá longe fora do banhado, sem aquele peso nos pés foi meio que se atolando, meio caindo e levantando até o outro lado do banhado, conseguiu sair se arrastando e se agarrou num vassoral, só de medo porque já tava em chão firme.
Gritou pra outra fazer o mesmo. Saíram as duas molhadas, tremendo de frio e com barro até por dentro dos olhos, maldizendo tudo e todos. Cataram as botas, e o guarda chuvinha véio todo rengo, já ia longe tocado pelo vento. Com a mesma água do banhado, encheram as botas, e calçaram, pra não machucar mais os pés que já tavam cheios de bolhas, e deu certo.
Pegaram o rumo das casas. Mas e as vacas? Nem sinal, correram os olhos por tudo, mas nada de avistarem as tambeiras, e já que as duas tavam viradas num barro só, e que iam levar uma baita bronca da Dona Fátima, e lembraram da capela do Divino, que ia ter uma janta no sábado e depois um gaiteiro pra animar um bailinho, e que o filho mais novo do Seu Getúlio, um vizinho ali de perto, que era um moço muito educado e trabalhador, e bom ginete e laçador, estaria lá também, e que ele, do dia que teve no sítio ajudando a quebrar um milho, tinha prometido pra mais velha de dançarem uma moda... e já que depois de tudo isso a Dona Fátima por certo que às deixaria de castigo e não levaria ninguém na janta, já que as duas tinham inventado de sair na chuva e tavam voltando embarradas, as vacas que se perdessem campo a fora.
Já tava anoitecendo quando chegaram no portão da frente enxergaram uma capa e um chapéu saindo do galpão, parecia uma avisagem na tarde que se findava, a mais nova já caiu num gritedo, e corra, se esconda, é uma capa me socorra. Mas era a Dona Fátima que ia saindo para procurar as duas.
- Ondé que cês tavam criaturas? O que é isso? Tão coberta de barro, cês vão pegar uma gripe e as mãe docêis me mata.
- Ai tia Fátima, nós perdemo as vaca, caímos no banhado, mas não briga com nós, deixa nós ir na janta da capela, nós fazemos todo o serviço da casa a semana inteira, nós limpamos os vidros, alvejamos os panos de prato, areamos as travessas, o que a senhora quiser, mas leva nós na janta.
A outra ajudou:
- Nós ainda andemo procurando elas, mas sumiram tudo, não sei que rumo garraram.
A velha, com a maior vontade de rir da façanha das duas meninotas e da preocupação delas com a tal janta, fez cara feia e disse que dessem a volta e entrassem pelo galpão. Elas obedeceram. Entrando no galpão escutaram os berros na mangueira.
- Mas as vacas estão aqui?
- Ih minhas fia, enquanto ocês vem vino e já vo vortano. Enquanto vocês buscam as vaca eu já to com o queijo pronto. E escuitem bem, vo ver se levo ocês na tar janta, mas quero meus pano de prato arvinho, arvinho e as panela tudo brilhando.
Pois olha, passaram o resto da semana alvejando pano de prato, areando fogão e panela que dava pra se enxergar, tratando as galinhas e até ajudando a fazer o queijo. A Dona Fátima cumpriu o prometido e levou as duas na janta da capela, decerto que até aquele dia elas deram conta de tirar tudo o barro que tinham nos cabelos, porque tavam lindas que eram umas flor, e enquanto a Dona Fátima me contava essa história, a mais velha saracoteava no salão com o filho do Seu Getúlio, mas esse já é outro causo.



Alva Gonçalves

04/04/2011


*Corruíra: pássaro que mede 12cm. de comprimento. Seu canto trinado, alegre e melodioso, é ouvido principalmente no começo da manhã. Enquanto ela se move sobre construções ou na vegetação, emite sem parar um crét crét, rouco e baixo. Bem pequena, pode ser escondida na palma da mão. É parente do famoso uirapuru. (Fonte: http://www.wikiaves.com.br/corruira)

31 de março de 2011

O conto do negro

A aula era teórica. À noite, depois de um dia de trabalho, encarar a faculdade não era tarefa das mais fáceis, mas sempre fora uma tarefa no mínimo divertida. Na faculdade, e só depois que terminamos é que descobrimos, aprende-se uma profissão durante a aula e muito sobre a vida fora da sala.

Mas ela continuava ali, era boa aluna e não gostava de ficar saindo da sala, por mais que tivesse vontade de ir ao centro acadêmico tomar um mate ou de dar uma passada no corredor vizinho, ver se avistava algum olhar.

Quando as aulas eram desgastantes aproveitava o tempo para escrever, tinha lápis e papel disponíveis, poderia deixar o pensamento ir longe. Mas naquele dia não havia inspiração.



O sono vinha, ela olhou em volta, poucos escutavam as palavras do professor, alguns brincavam no celular, um colega lá no canto puxou a boina sobre a testa para esconder os olhos e cochilava, pra não se dizer que dormia em sono profundo. Duas colegas, lá atrás, se enredavam numa prosa cochichada, e outra, mais à frente, fazia dobraduras de papel. Vasculhou a bolsa, pegou um livro que já havia virado um companheiro, Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto, abriu na folha certa e pela "trocentésima" vez iniciou a leitura do seu conto preferido: "O Negro Bonifácio".

Ela não se cansava de ler aquele conto, a história era sangrenta, violenta... terrível, mas aquele enredo a prendia. Era uma xucreza.

Ia lendo e imaginando cada cena, os versos do cajetilha, a carreira, o vinho no bolicho, o lenço com os sequilhos... a peleia. Lembrou da amiga que estava em outra sala, em outro curso, e que era companheira de sonhos e ideais. Um rancho num fundo de campo, um mate recém cevado, uns potros para domar... um Mariano Luna pra dividir os dias. Ah como eram lindos e poéticos os sonhos de moça romanceira. Temos que convir que não eram nada práticos, mas naquela fase da vida tudo era começo, havia espaço para muitos sonhos, possíveis ou não. E o Mariano Luna, ah esse era o príncipe encantado delas, mas viria de pilchas ao invés de roupas caras da realeza, e ao invés de um cavalo branco viria montado num baio. No lugar do palácio um ranchito barreado num posto d'alguma estância.

Ela continuava lendo até que pegou o celular, essas coisas modernas até que de vez em quando prestam pra alguma coisa, havia comprado uma promoção de 500 torpedos, podia mandar mensagens arriviria, então começou a escrever: "a Tudinha era a chinoca mais candogueira que havia por aqueles pagos, um cajetilha da cidade, duma vez que a viu botou-lhe uns versos muy lindos, pro caso que tinha um que dizia que ela era uma... Chinoca airosa, lindaça como o sol, fresca como uma rosa. E o sujeito quis retouçar, mas ela negou-lhe estribo, porque já trazia mais de quatro pelo beiço, que eram dali da querência, e aquele tal dos versos era teatino."

Enviou a mensagem. Dez centésimos de segundo depois, recebeu a resposta: "minha Nossa Senhora, que coisa mais linda, de onde tirou esses versos?"

Riu sozinha, o começo da história era muito lindo e a aula da outra deveria estar tão cansativa quanto a dela. Respondeu falando do livro, do conto e do autor, como podia a amiga tão gostadeira da cultura gaúcha não conhecer aquela história?

Ficaram trocando mensagens até que não pode mais agüentar, saiu da sala. Já encontrou a amiga no corredor, que não podia esperar mais queria ler e saber tudo sobre o conto.

Que programa cultural!

Passaram no centro acadêmico, pegaram a cuia e a térmica, sentaram num dos velhos bancos da universidade e começaram a leitura, não leram apenas o Negro Bonifácio, mas todos os contos do livro.

Ficaram proseando sobre os sonhos (um rancho num fundo de campo, um mate recém cevado, uns potros para domar... um Mariano Luna).

Ainda estavam ali no banco, com o livro aberto e os cadernos por roda, o mate já frio, quando o professor passou. Ele já era um senhor de idade de cabelos branquinhos, mas muito simpático, fazedor de graças pelos corredores para atrair a atenção dos alunos. Quando as viu não se conteve:

- Então você fugiu da minha aula né?!

Imediatamente a face corou, ela não costumava fazer isso. Não podia perder a confiança do professor que a ajudava inclusive em outras matérias quando ela precisava, além do mais ele era tão querido. Imediatamente inventou uma desculpa:

- Profe, eu não queria perder sua aula, estava tão interessante, mas tenho que entregar uma resenha desse livro de E C O N O M I A amanhã, e não estava nem com a metade pronta, precisei sair para tentar terminar e dar tempo de passar a limpo essa noite.

O professor sabia que trabalhar de dia e estudar a noite era complicado, acreditou na história e até se ofereceu para revisar a resenha antes que ela entregasse. Saiu andando pelo campus com sua pasta cheia de papéis, as duas se olharam, ainda com as bochechas vermelhas, nisso o colega, o mesmo que cochilava debaixo da boina, e que acabara de ouvir a conversa com o professor, passou repetindo:

"A mais santinha tem mais malícia que um sorro velho".









Alva Gonçalves 12/03/2011 - Revisão 31/03/2011

Canyons - São José dos Ausentes (parte2)

Pra guardar na memória


Depois de uma breve caminhada debaixo de chuva e pisando pelos banhados chegamos ao alto do Pico do Monte Negro, a 1.403 metros de altitude.
Que lugar maravilhoso!
Ainda estou sem palavras para descrever a grandiosidade do local.
Existem momentos que queremos imortalizar, e geralmente fazemos isso tirando fotos ou filmando, ali debaixo de chuva, as fotos não poderiam traduzir a satisfação de estar diante de uma vista tão linda, mas o momento era pra ser imortalizado, portanto era só admirar a paisagem que parecia ter sido esculpida, desenhada milimetricamente por mãos hábeis. Olhar com calma e paciência cada detalhe, guardar nas retinas o campo, o precipício e o pico lá do outro lado, o imenso paredão de pedras, uma corrente d’água escorrendo tranqüila no meio do morro lá longe.
Olhar com atenção e guardar na memória, lá no baú de recuerdos insubstituíveis.
A chuva ajudada pelo vento batia com tanta força que machucava. As roupas encharcadas, o guarda-chuva virado do avesso pelo vento, nada disso tinha muita importância porque a paisagem compensava o sacrifício.
Nessas horas, diante de lugares inexplicáveis assim, que compreendemos que não precisamos de muito para sermos felizes, que dinheiro nenhum compraria uma obra grandiosa como aquela feita pelas mãos de Deus, compreendemos que realmente a felicidade pode morar nas coisas simples da vida.
Fiquei ali por um tempo olhando, tentando acreditar que era tudo de verdade, criei coragem e cheguei à beira do precipício, com muito medo de uma rajada de vento me jogar perau abaixo, porque o vento estava medonho, mas eu precisava olhar tudo.
Caminhamos para o outro lado do canyon, a vista de lá era ainda mais bonita, mais uma vez fiquei olhando atentamente, para guardar todos os detalhes. Que medo de perder essas lembranças!
A chuva estava piorando e machucando cada vez mais, tivemos que voltar, deixar aquele lugar lindo, parecia um ambiente meio que de sonho, aqueles sonhos confusos que quando acordamos não lembramos direito, esse era o cenário. Chuva, nuvens, precipícios, a cerração que já tornava difícil enxergar do outro lado da montanha.
Voltamos, ainda tivemos que passar pelo riacho que já cobria a estrada, água era o que não faltava, caía dos barrancos pelo caminho, como se estivesse sendo filtrada.
Gracias a quem me fez o convite, foi uma linda e extraordinária experiência, pra ficar guardada em fotos, vídeos e principalmente no baú de recuerdos da memória.

Alva Gonçalves
31/03/2011












30 de março de 2011

Amansando de garupa

Musiquinha pra alumiar o dia de hoje!
Umas das mais belas músicas dessa edição da Sapecada, emocionante.
"Recolho da soga meu pingo que sabe, porque em silêncio roubei uma flor" ... suspiros!



 
 
AMANSANDO DE GARUPA
 
(Lisandro Amaral / Mauro Moraes)
Eu junto os segredos dormidos no pala
Se a noite resvala, aroma e sabor
Recolho da soga meu pingo que sabe
Porque em silêncio roubei uma flor.
Gelado de inverno, o orvalho de julho
Cabresto no punho e ainda ressona
O amor da cordeona, convite ao pecado
Com a china do lado sentei a carona.
Romance que encilho de noite, pampeiro
Permisso gaiteiro me chama um carinho
E levo na anca com cheiro de lua
A pluma que a noite soprou pra o meu ninho.
Eu junto os segredos dormidos no pala
Se a noite resvala, cordeona e luar
E amanso de anca meu mouro que sabe
Porque em silêncio roubei teu olhar.
Gelado de julho e a geada se estende
E a lua me entende, clarão no caminho
Me arranca os espinhos em um sopro materno
E esquenta o inverno com a flor do meu ninho.
Tranco largo, fim de noite
E a madrugada derramando o serenal
Tranco largo, o rancho é longe
E hoje amanso de garupa o meu bagual.

28 de março de 2011

Canyons - São José dos Ausentes (parte1)

Fotos tiradas no caminho rumo ao Pico do Monte Negro em São José dos Ausentes. Bela paisagem no interior do São Joaquim/SC ao interior de São José dos Ausentes/RS.














A partir daí saimos da van e continuamos o caminho a pé, debaixo de chuva e vento, pra chegar a 1.398 metros acima do nível do mar... mas valeu a pena.

21 de março de 2011

Rodeio CTG Chilenas de Prata

Algumas fotos do domingo

mulherada no acampamento lavando a louça!!!

cavalhada... ops era só a toalha da mesa

ninho dos patinhos... e tal hein, foto tirada de cima do arreio!!!

as tralhas do pai

o pó da estrada... o pelego e meu pé no estrivo!
mais uma tirada de cima do arreio

meu pai... levantando porvadera na cancha


19 de março de 2011

Hay que aparecer

Um moço,
pilchado,
romântico,
com boas pretensões pra vida,
inteligente,
de preferência bonito,
que entendesse da lida...

Essa era a estampa ideal.
Sonhos de moça romanceira,
Sonhos, esses que às vezes ficam escondidos, dormindo no fundo da alma
e que mais cedo ou mais tarde reflorescem
Esses sonhos de moça romanceira que povoavam nossa mente
Quando tudo era esperança:
Um rancho num fundo de campo,
Um mate recém cevado,
Um Mariano Luna assobiando uma coplita enquanto lida no galpão...
"Um baio manso pastando pelo potreiro e bombachas limpas penduradas no varal"*
E porque idealizar um príncipe encantando se poderíamos desejar um Mariano Luna?
Hay que aparecer um dia na cancela, de laço nos tentos
Hay de aparecer algum dia n'algum baile pra bailar uma tirana
Hay que aparecer num rodeio, montando uns aporreados
Hay que aparecer numas carreiras apostando uns patacões
Hay que aparecer... nem que seja só nos sonhos...
que se vão passando pela mente
enquanto estamos de olhos abertos
e levamos a vida tomando um mate.

Alva Gonçalves
(*Citação ao Romace de Flor e Luna - Gujo Teixeira)

Novos rumos

Simplicidade de Mãe e novos rumos no blog

Queridos leitores, eu fiquei um bom tempo afastada do blog, com muitas ideias e assuntos para escrever, mas sem tempo. Em primeiro lugar, p...

Nossas Redes Sociais