19 de março de 2011

Hay que aparecer

Um moço,
pilchado,
romântico,
com boas pretensões pra vida,
inteligente,
de preferência bonito,
que entendesse da lida...

Essa era a estampa ideal.
Sonhos de moça romanceira,
Sonhos, esses que às vezes ficam escondidos, dormindo no fundo da alma
e que mais cedo ou mais tarde reflorescem
Esses sonhos de moça romanceira que povoavam nossa mente
Quando tudo era esperança:
Um rancho num fundo de campo,
Um mate recém cevado,
Um Mariano Luna assobiando uma coplita enquanto lida no galpão...
"Um baio manso pastando pelo potreiro e bombachas limpas penduradas no varal"*
E porque idealizar um príncipe encantando se poderíamos desejar um Mariano Luna?
Hay que aparecer um dia na cancela, de laço nos tentos
Hay de aparecer algum dia n'algum baile pra bailar uma tirana
Hay que aparecer num rodeio, montando uns aporreados
Hay que aparecer numas carreiras apostando uns patacões
Hay que aparecer... nem que seja só nos sonhos...
que se vão passando pela mente
enquanto estamos de olhos abertos
e levamos a vida tomando um mate.

Alva Gonçalves
(*Citação ao Romace de Flor e Luna - Gujo Teixeira)

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