21 de agosto de 2009

Romantismo

Hoje resolvi postar sobrte um músico, cantor e compositor que eu adoro: Jairo Lmabari Fernandes, intérprete das mais românticas músicas do nativismo.
De tantas músicas lindas, hoje estou postando algumas das que eu mais gosto, um conto de fadas à moda campeira, escrito por Gujo Teixeira, uma história que em cada música é contado ou "cantado" um capítulo "De Flor e Luna" e seus romances...

Romance de Flor e Luna

Composição: Gujo Teixeira

Quando um dia Rosaflor chegou no rancho
Pequeno mundo num fundão de corredor
Enxergou um pingo baio encilhado
E um gaúcho com um gateado no fiador

Mariano Luna domador seguia os ventos
Trazendo mansos pra cambiar pelas estradas
E Rosaflor filha mais moça do seu Nico
Lavava roupa junto às pedras da aguada

Rosaflor num riso manso e buenas noite
Entrou no rancho com seus olhos de querer
Mariano Luna com suas pilchas já puídas
Disse a moça um outro buenas sem dizer, sem dizer

Mariano Luna que tinha lua nos olhos
Entregou esse clarão aos olhos dela
E apagou a luz extrema que continha
Da outra lua que apontava na janela

A lavadeira pouco sabia das luas
E ainda menos dos olhares que elas têm
E descobriu então nos olhos do andante
Que de amores nem as flores sabem bem
Que de amores nem as flores sabem bem

O domador que só sabias desses campos
Sabia pouco do azul que vem das flores
Mas descobriu depois de léguas de estradas
Que há muito tempo não cuidava seus amores

De flor e luna se enfeitou o rancho tosco
Pequeno mundo num fundão de corredor
Que sem saber ficou mais claro e mais silente
Depois que lua debruçou-se sobre a flor

Ficou a estrada sem ninguém pra ir embora
E risos largos diferentes do normal
Um baio manso pastando pelo potreiro
E bombachas limpas pendurada no varal, no varal

Romance Pra Quem Chega

Um dia desses Rosaflor olhava um sonho
Na sanga clara junto à sombra do arvoredo
Guardava um beijo pra entregar, quando voltasse
E uma palavra, que ainda pouco era um segredo.

Mariano Luna no galpão cevava um mate
Cuidando um baio que escarceava num bocal
Foi quando a tarde então pintou-se de outono
Era sua linda que apontava no portal.

Rosaflor chegou de manso, como chegam
Notícias boas, brisa, sol e um novo dia
E então contou das tantas luas que viriam
Até que o rancho ia encher-se de alegria.

Mariano Luna nem cabia em si o sorriso
Tomou um mate e mais outro sem notar
Passou a mão sobre o ventre de sua prenda
e viu que o tempo tinha esperas pra entregar.

Toda alegria resumiu-se num abraço
E num silêncio igual à calma do rincão
Que se ouviu um canto claro de um barreiro
Moldando um rancho na janela do galpão.

Foi um cantar de anunciação ele sabia
Outro casal que erguia um rancho na querência
Era o destino que entregava a luz da lua
Pra junto à flor deixar raiz e descendência.

E Rosaflor falou da casa e das bonecas
Das coisas boas que essa vida ia lhes dar
Mariano Luna já pensou num rancho novo
E de amansar um peticinho pra o piá.

Agora era só o tempo dessas luas
Que sabem bem o ciclo certo das esperas
Trazer a vida num sorriso de um piá
Ou de outra flor que chegará com a primavera.

Romance de Quem Parte

De manhã cedo Rosaflor cevou o mate
Com erva buena, maçanilha e despedida
Pra ofertar com mãos de espera ao seu amado
Antes que a estrada lhe contasse da partida

Mariano Luna do galpão trazia um baio
Bueno de boca pra entregar noutra estância
Um baio claro feito a lua que esses tempos
Foi sua guia e companheira nas distâncias

Roncou um mate o do estribo na cancela
E um silêncio tomou conta do lugar
Deixando apenas dois olhares se encontrarem
Que Rosaflor ficou sem jeito pra falar

Mariano Luna ia num baio frente aberta
Pilcha bonita, deu de rédea e disse adeus
E Rosaflor, a flor mais linda do rincão
Tomou o mate pra beijar os lábios seus

Mariano Luna só levou poncho e mais nada
Um gosto bom e uma certeza pela boca
É só um dia de estrada e quem partiu
Volta pro rancho que a saudade não é pouca

Em frente ao rancho Rosaflor olhava ao longe
Dois baios mansos e um amor seguirem a estrada
Depois deixou cuia e cambona recostadas
E foi lavar seus sonhos todos junta à aguada

Assim a estrada novamente foi distância
Mas esta vez por ter retorno e boas vindas
Mariano Luna que seguia sempre os ventos
Agora tinha os olhos claros da sua linda

Mariano Luna, o domador, levava um baio
Também de tiro uma saudade de quem parte
E Rosaflor juntou mais jujos pelo campo
Para lhe esperar no fim da tarde com outro mate!


Romance pra Outro Mariano

Depois das luas Rosa Flor mimava um piá
De olhos calmos, bem querer e olhar risonho
se o tempo moço tinha espera pra lhes dar
Então a vida lhe entregou bem mais que um sonho

Outro Mariano pra encilhar junto com o pai
seu peticinho baio ruano e bom de patas
Era um campeiro mal calcando o pé no estribo
de boina negra, de bombacha e alpargata

Mariano Luna lhe ensinava o jeito certo
De encilhar, firmar nas rédeas e sujeitar
Ia contando ao piazito sobre a vida
E o que ela tinha de bom pra ofertar

Pela ansiedade Rosa Flor era um sorriso
Que se perdia entre as flores da janela
Depois de um mate a mesma cena repetiu-se
E os dois Marianos acenaram na cancela

Mariano Luna ia ao passo no seu baio
E o peticinho rédea atada que obedece
Outro Mariano que aprendia ser do campo
Pequeno mundo bem maior do que parece

E Rosa Flor então sabia nos seus mates
Que era o tempo cruzar poucas primaveras
Que o guri ia também encilhar baios
Porque a vida é um ciclo eterno de espera

Mais uma vez a estrada foi e despedia
Pois pra quem fica uma manhã é a vida inteira
E os dois Mariano já voltavam do potreiro
Pra Rosa Flor e sua saudade costumeira

Então o rancho agora em três é bem maior
Bombachas grande e pequenas no varal
Só o silêncio nunca mais foi o mesmo
Pra um romance que jamais terá final

Romance de Quem Aprende

Junto à cancela Rosa Flor firmava a cuia
E entre um mate olhava ao longe dois campeiros
Que nos seus baios vinham juntos pela estrada
Os seus Marianos pai e filho e companheiros.

Mariano Luna num bagual recém pegado
Bocal e rendas, um galope ia estendendo
Outro mariano, no seu baio cabos-negros
De rédea firme, espora curta e aprendendo.

No corredor seguia o tempo lado a lado
Um domador pra mansidão de mais um potro
E um moço novo que entre prosas e conselhos
Batendo estribos, ia um cuidando o outro.

Rosa Flor entre um sorriso e uma angústia
Olhava os dois como a firmarem um compromisso
Lembrou de um tempo que passou já fazem luas
Quando esse moço era um piá no seu petiço.

Mariano Luna foi chegando pro galpão
Soltando o corpo pronto pra desencilhar
Mas o seu baio, por maleva ou assustado
Já quase manso quis pegar a corcovear.

Mas é aí que a vida encilha e cobra um dia
E o outro Mariano, chegou logo no bagual
E amadrinhando com olhar de quem já sabe
Firmou o baio, pela argola do bucal.

Mariano Luna se ajeitando nos arreios
Por que quem doma até por nada vai ao chão
Viu com seus olhos de confiança e satisfeito
Que suas palavras de saber não foram em vão.

Quem sabe o tempo, domador igual a tantos
Um dia entregue outros potros pra amansar
Vai um Mariano amadrinhando e outro domando
E Rosa Flor na mesma angustia de esperar.

Vai um Mariano amadrinhando e outro domando
E Rosa Flor na mesma angustia de esperar

Junto à cancela Rosa Flor firmava a cuia